05 abril, 2006

Os Segredos da Alma



Imagem de: Sara em Olhares

Acordei, cheia de doces na língua.
Com vontade de me agarrar a uma orelha amiga,
Mas quando a tinha os segredos não se quiseram escapar!
Agarraram-se ao coração,
E por mais vontade que a língua tinha
As palavras não eram suficientemente grandes.

Os espasmos da alma foram tão bem concebidos
Que por mais que os queira transmitir,
Contar a toda a gente, correr a gritar a felicidade que sinto,
O segredo é só meu!

Eles guardam-se, acolhem-se no meiozinho do coração.
Enroscam-se por lá…
Lançam-me mensagens
E os meus lábios respondem-lhes em reflexo condicionado.

Quem inventou os sentimentos, codificou-os de uma forma tão perfeita, que só cada um de nós sabe o que significa, só para nós!

20 março, 2006

Histórias de amor

Imagem de: Ugly
É verdade que nenhuma história de amor é igual, e esta ficará guardada.
O primeiro abraço e um comboio a dar o passo de partida. O sorriso, o caminho. Recordo-me ainda de acordar com a minha cabeça apoiada no teu peito e a tua mão a deslizar no meu cabelo.
De dançar ao sabor da tua voz no meu ouvido em frente de um banco qualquer, de brincar com um quilo de pipocas num cinema quase deserto. Do sorriso, dos teus olhos doces… é mágico, e impressionante como um “fica comigo” nos faz deixar de sentir o chão! Acho que guardarei esse timbre para sempre. A saudade fica a emoldurar. E já que temos que seguir caminhos diferentes, que sejas feliz, com a certeza que ficarás sempre comigo!

02 março, 2006

Os 5 sentidos…

"Cada bloguista participante tem de enumerar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Além disso, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue."

Audição (Teimosia)


Imagem de: Skálgi

É o traço da minha personalidade mais visível, que se ouve mais no meio de todas as características. A minha razão é sagrada, e tudo o que foge da esfera que considero verdade, eu simplesmente deixo de ouvir, ou regateio como se não houvesse mais amanhã.
Defendo as minhas ideias como causas únicas, a não ser que me demostrarem matematicamente o contrário!
Eu apenas ouço o que acho bem, sou muito selectiva, mas no fundo sei de tudo, embora não pareça.

Olfacto (Curiosidade)

Autor Desconhecido
Gostava de correr mundo, conhecer novos mundos dentro deste, conhecer novos climas, sentir novos perfumes. Todas as coisas têm um perfume próprio, característico, que as faz serem distintas do resto, e é essa essência que eu tenho vontade de cheirar, de encher os pulmões com ela…
Saber e ter consciência que o mundo é muito mais que as minhas quatro paredes, muito mais que as pessoas que conheço, do alcatrão que piso. Quero cheirar e tirar partido disso. Enriquecer a minha palete de perfumes.

Gosto (Paixão)

Imagem de: X. Maya

Ponho-a em tudo o que gosto de fazer. Vivo-a em cada gesto do meu dia. Não me lembro de passar um único dia sem estar apaixonada, sem sentir aquele desejo de tocar com o dedo no nariz daquele que guardo nos segredos da alma.
Sei onde estou e para onde vou, e quero muito ser feliz. Fundamentalmente isso. A fazer aquilo que gosto e a viver para quem gosto. Só se faz bem feito quando se faz com o coração.


Tacto (Tranquilidade)

Autor desconhecido
Embora não a tenha, adoro procura-la na corrente de um rio, no fresco da onda salgada, na força do vento, na textura da relva, no toque da mão, no silêncio da natureza. É muito importante poder repor essas energias positivas e libertar as negativas, simplesmente repor o equilíbrio.

Visão (Obrigado!)


Imagem de: IvonePeoples
A todos que lêem o meu blog, a todos que apenas passam, aqueles que lêem e comentam, e hoje, fundamentalmente aqueles que me convidaram a participar neste desafio, e aos que convidei:

Catarina;
Isabel;
Mike
Moita;
Pedro;

Porque os que estão presentes na nossa vida são importantes para nós e devemos agradecer sempre por partilharem comigo estes momentos a que chamamos vida, e fundamentalmente a darem cor e sentido á minha. A todos eles o meu sincero OBRIGADO!!!

01 fevereiro, 2006

Qual é o tamanho do teu Dedo?

Imagem de: Sweetcharade
A memória, aquele pedaço da mente que recorda momentos. Nós somos o que os momentos fazem de nós.

Pensamentos, reflexões, olhares… tudo nos transporta para uma série de conjugações paradoxais que nos vão guiando na nossa forma de estar. Alguns aliados a frutos suculentos do destino outros nem por isso.

Talvez as experiências que temos com os outros que nos rodeiam, mexam mais com esse canto dos pensamentos. Fazem-nos meditar, sorrir ou chorar com eles. Por vezes projectam-se em acções que achamos que as vivemos segunda vez. Ficamos mais amargurados, mais seguros, mais confiantes ou mais defensivos. Por vezes os erros que cada um comete, correm nesse labirinto complexo da memória.

Esta longa escalada à qual chamamos vida, é tão difícil como tentadora, é tão cheia de obstáculos que só cada um de nós conhece, só nós podemos quantificar alegrias ou sofrimentos. Só cada um de nós sabe qual a pedra que nos fez cair ou nos ajudou em mais uma subida.

Cada vez que apontamos o dedo, reflectir devia ser inato, sempre que o dedo espeta para alguém deveríamos pensar quantos dedos estão direccionados para nós.

25 janeiro, 2006

Ficou

Imagem de: António Lobo
"Que é da alegria?
Quem ta roubou?...
Da fantasia, o que ficou?
Nos teus olhos tristes já a noite entrou.
Com quantas cores pintaste a vida?
Aos teus amores.
A taça esguida?
Tudo o que sonhaste, a vida matou.
Ficou só esse olhar vazio,
Sem cor, sempre distante e frio.
Com que palavras escondes a dor,
O desalento, o desamor?
Nos teus olhos tristes.
Já o sol brilhou.
Ficou só esse olhar vazio,
Sem cor, sempre distante e frio."
Texto de: Pedro Malaquias

17 janeiro, 2006

Corre!!!

Imagem de: Artur Franco

Corre!
Assalta a felicidade.
A noite fechou
Voltou a escurecer.
Nem o frio te fez ficar.
Deixei-te ir,
Mesmo com os olhos húmidos de saudade.
A distância mata,
Há distâncias que não merecem perdão.
Fechei os olhos
Esperei
Acordei
Corri
Estou vazia de ti…

13 janeiro, 2006

Em Cada Gesto

Imagem de: Sónia Henriques
A distância diminuía
Com cada minuto que limitava a saudade.
O anjo fez a sua aparição,
Trouxe com ele o perfume,
Trouxe a graciosidade, a vontade, a paixão.

A noite enfeitou-nos em tons de azul metálico,
A luz da lua iluminou-nos o desejo,
As palavras deixaram de ser precisas
Porque os olhos reportaram os sentimentos.

O meu corpo chamou o teu,
Entrelaçamo-nos
Num sem fim de gestos com ternura.
Senti novamente o teu cheiro.

Com o abraço, vieram os medos.
Confessaste-me os teus,
Eu, baixinho sussurrei no teu ouvido,
“Não me deixes nunca mais”

09 janeiro, 2006

( Sem Título)

Imagem de: Sweetcharade


A alma enche, foge…
A alma corre, esforça-se…
Uma gota escorre, desenha a linha.
Uma gota de emoções, de paixão em mel cristalino,
Amarelo que beija o sol.

A alma enche, foge…
A alma sorri, encontra-te…
O frio invade, os pelos que me cobrem põem-se em sentido.
O frio chega, lembra-me a solidão.
A noite embala-me os sonhos, quero-te…

A alma enche, foge…
Memória com cheiros a maçã,
Memória que me acolhe.
Seguro-me em pensamentos.
A alma enche, com apenas um sorriso teu!...

Há memórias assim, sem título...

Segredos Do Coração

Desconheço o autor
O que é que Homem precisa para perder a dignidade?
Um desgosto, uma ambição mal sucedida, uma expectativa mal formada...
Um encontro com o destino naquela altura em que tudo deixou de ter sentido.
Uma nota fora do bolso, uma camisola rasgada, uma cama de cartão e um tecto de estrelas, e o Homem deixa de o ser!
Os olhos de quem passa que não reviram, o sentimento que não existe, e aqueles seres passam a pedras.

O medo de quem ama, a coragem que falta para deixar espalhar o dialecto do coração. Os olhos cerrados de quem não vê porque a vida é apenas o que não tem cor. Os ouvidos também não ouvem porque taparam com a poluição do quotidiano.
Acordem e escutem a linguagem do coração, olhem e vejam o olhar da alma.

Todos aqueles que algum dia entrelaçaram na nossa vida, entrelaçaram porque eram importantes.

13 dezembro, 2005

Enfeita-me com Penas

Imagem de: Rui Bonito

Corro por corredores ténues,
Escuros, húmidos.
Com cheiro a saudade,
Desenhados com pinceladas de solidão.

Acolhe-me em almofadas de cetim,
Reconforta-me em penas brancas,
Enfeita-me com beijos.

Diz apenas que me amas
E morrerei feliz…

No Banho

Imagem de: Barbara Angel
Saio do banho, a gota escorre nos fios de cabelos organizados. Deixei na água as mágoas, aqueci o corpo. O perfume do vapor relaxa-me os músculos, dissolve-me pensamentos que se encostam nos cantos da mente. Há mesmo certas partes que te encontro a sorrir.
Aconchego-me na toalha que vai humedecendo à medida que desenrola sobre o corpo, olho-me ao espelho no canto que não está embaciado e sorrio. Apenas me vejo a mim.

08 dezembro, 2005

Beijo

Imagem de: Renata Teixeira
Devora-me!!!
Come cada partícula minha,
Mata a fome com a alma,
Come-me os lábios com os teus.
Simplesmente… Beija-me!

Amar ... Perder

Imagem de: Ricardo Alves Conde

Se morresse neste momento não me importaria…
Com os teus braços a envolverem o meu ser,
A sustentarem os meus medos,
Com os teus lábios a suspirarem sopros de ternura.

Mas a Terra girou,
E com ela a vida…
A sorte levou-me o teu olhar, o teu sorriso,
Levou-me a sustentação, a força que me garantia.

O tempo passa,
Fiquei parada, estagnada, esperando um abraço teu.
Gritei para dentro de mim,
Chamei-te mas tu não me ouviste.

07 dezembro, 2005

Sorriso de Outono

Imagem de: Olga Gouveia

Queria apenas compreender o mundo, ser feliz porque encontrei-te na esquina de uma distracção do meu coração.

Queria encostar-me e apertar-te, até sentir o cheiro da tua alma, até que as partículas de nós se misturem.

Queria apenas beber a essência que compõe a vida e sorrir em tons de Outono.

Olhar Co Rente

Imagem de: Sérgio Rodrigo

Corre multidão feliz! Olha apenas para o seu pé, um de cada vez. Embora a multidão seja pouco atenta, todos nós temos alguém ou alguns que nos recolhem em momentos de sussurros, naqueles momentos em que se acolhe os segredos. A esses abrimos a alma e confiamos a profundeza do que nos faz. Acolhe-se a ternura…

A noite cai, o sol toma como despedida por mais um dia. Eu regresso ao leito dos segredos, a multidão desapareceu. O olhar despertou na escuridão que se instalou. Relembro os momentos que já vivi, os abraços que recebi, as entranhas dos dois seres de antigamente. Os erros que cometi, dos medos, das inseguranças. Provavelmente o maior foi deixar que entrasses no meu mundo, que te colocasses na minha vida como se fosses uma peça indispensável para sobreviver.

Agora tenho medo de entrar no quarto escuro, de voltar a colocar a minha cabeça na almofada dos segredos e te encontrar a dormir tranquilamente, como um anjo que não me guarda. Agora tenho medo de voltar a fechar os olhos e encontrar-te a sorrir para mim, a olhar-me com ternura que me suga a paz. Agora tenho medo de me cobrir com os lençóis que já envolveu os nossos corpos um dia, e encontrar o desejo das tuas mãos a envolver-me com carinho que me espremeu o suco da felicidade.

Quero os dias quentes e com muita luz, dispenso a razão…

04 dezembro, 2005

A Vida

Desconheço o autor
A vida é um livro, que se lê no silêncio, num canto reservado da nossa alma. Podemos lê-lo e escrever nele pedaços de sentimentos imersos, absortos em alegrias, com euforia ou calma, ás cores ou a preto & branco, por vezes manchamos com lágrimas, ou coleccionamos imagens.
Guardamos recordações doces, outras amargas, revoltamo-nos… Buscamos força, libertamos raiva. Rasgamos páginas que queremos esquecer, reciclamos emoções…
Acordamos para nós próprios, conhecemo-nos em cada linha que se relê. Acreditamos e deprimimo-nos. Acabamos frases, começamos parágrafos. Juntamos mais volumes numa infinidade deles. Completamos a nossa enciclopédia pessoal quando as rugas abundam num rosto já cansado, aconchegada de uma mão trémula de um destino pesado…

Morte Poetica

Imagem de: Vitor MM Costa

Cada teatro guarda um palco,
Cada tábua uma lembrança,
Cada prego uma lágrima,
Cada passo uma passagem…

Um amor, uma peça
Que guarda sorrisos.
Cada Odor, uma presença
Cada partícula uma gente.

Cada teatro guarda…uma vida.

Cada poeta, uma palavra,
Um batimento de coração rebelde,
Cada verso, um olhar,
Cada poema, um remorso.

Quando o escuro da solidão acorda,
E mata os neurónios sedentos de cor,
As folhas ficam em tons de branco,
A caneta perde a tinta,

O desgosto do poeta que habita em mim
Transforma-se…

03 dezembro, 2005

Caixa de Segredos

Imagem de: Pedro Miguel Costa

Por vezes tenho vontade de te guardar no fundo de uma caixa.
Outras vezes tenho vontade de te mostrar ao mundo que és meu e ver todos a encolherem-se de inveja.
Depois já tenho vontade de te acariciar, de te aninhar nos meus braços e conservar-nos assim para sempre. Mas depois volta aquela tela que renasce de uma assustadora realidade e nos impede de o fazer!
Quando termino de sonhar, guardo-te numa mente, naquela memória dourada onde nada é esquecido, onde só os maiores tesouros são escondidos.

Em nome de uma Rosa

Imagem de: Sónia de Jesus

Cada rosa,
Nasce, floresce, encanta.
Cada rosa,
Renasce em cada pétala que cai.
Esta rosa,
Murchou…

Foram caindo as pétalas cor de sangue,
Ao sabor da brisa.
Foram ficando fracas,
Cada folha, cada ramo.
Em vez de verde agora,
A sua pele tinha ficado escura.
A sombra caiu sobre ela,
Levou-lhe a alma, a beleza…
A vida ficou-lhe breve…

Cada rosa do jardim
Deixou cair uma pétala
Em memória…
Cada rosa do jardim
Deixou renascer um botão
Em memória…
Cada rosa do jardim,
Relembrando mais um pouco,
Relembrando a vida.
Certamente a homenagem,
Aquela homenagem
Que a vida nos pede, é
Apenas viver.

Ficaram as lágrimas,
As nuvens de saudade,
A felicidade pela presença
Os ensinamentos,
Ficou a memória…
Com um sorriso, porque
Existiu uma rosa no meu jardim.

Anjo

Imagem de: Augusto Peixoto

Meu caro anjo,
Acordei com a cor da luz,
Despertei em forma de criança.
Sentei-me e saciei um estômago
Já cansado de fome.
Vivi o dia em partículas,
Desenhei-as na noite, em papel reciclado.
Reciclei emoções…
Deitei-me com o sono a embalar-me…
Pensei…
“O meu anjo sorriu para mim.”

Canetas sem tinta

Imagem de Sónia Henriques

Hoje imaginei que me escrevias. Imaginei a tua mão apertando a caneta, acariciando o papel. A tinta esboçando as palavras com lentidão, com apreensão, com exactidão. E os teus olhos…estavam a brilhar! Os teus lábios sorriam nervosamente…Cuidadosamente abri um pouco da janela e deixei o vento entrar timidamente. Como eu queria ter-te aqui, fixo no meu corpo, enroscando as tuas mãos nas minhas costas deixando os teus dedos descaírem sobre a minha pele. O sentimento é uma rotina tão desconhecida que se torna tenebrosa, não achas? Quando é que chegas? Quando é que posso tocar-te de novo? Tenho saudades tuas, de sentir o teu perfume… O céu fechou, agora é noite e eu estou no meu quarto e penso como seria a minha vida sem ti. Cada molécula minha fica tua quando me abraço a ti, fecho os olhos e penso apenas no momento e o mundo desaparece, deixa de existir simplesmente. Quero estar contigo, enrolar-me nos teus braços e aninhar-me nas tuas palavras doces.

02 dezembro, 2005

Na luz da Vela

Sentei-me na minha cama, acendi uma vela e por hábito a minha mente pensou em ti. Ao som de um olhar fosco de uma vela, que também sente a tua falta, as minhas mãos começaram a pedir para transpor o que sentia para um papel sem graça!
Continuei absorta e sem saber bem como, afundei-me na recordação da tua loucura incomparável, que mata o meu coração de diabetes e derrete em caramelo o meu orgulho.
Olho para nos os dois, para o que já vivemos juntos, e o que aconteceu…era suposto que fosse assim, como se alguém planeasse cada segundo que nós vamos viver.
Imagino-te e lembro-me de cor cada uma das tuas expressões, os significados dos silêncios, dos gestos, dos sorrisos, a tua pele e cada partícula de ti. E principalmente sei de cor cada momento que vivemos juntos e se quisesse dizer que te “amo” tinha primeiro que dizer “obrigado”.
Os teus abraços envolveram-me na doença, na tristeza, apoiaram-me incondicionalmente nos momentos em que precisava de acreditar em mim e fizeram-me acreditar que era capaz. Hoje se tiver de dizer alguma coisa, dir-te-ei baixinho ao ouvido quando tiveres a dormir. Se um dia deixarmos de ser apenas um, se um dia te vir do outro lado da rua e fingir que não te vejo, não te esqueças nunca que levaste contigo metade de mim e que eu roubei metade de ti. Fizeste-me acreditar que afinal amar é bom, e posso faze-lo sem medo. Estou mais apaixonada cada vez que te conheço melhor, e quero sempre mais, mais de ti. Quero-te comigo sempre e fazer tudo, e partilhar tudo da minha vida contigo. Escolhi-te para desenhar o meu destino com as tuas mãos num papel que tenhas perdido na secretária mas que seja teu. A minha alma arde através dos teus lábios e do teu coração e desagua num amor que me consome.
Vejo-te daqui a uns dias…até lá, doce amor, um milhão de beijos.
P.S.: Vou adormecer cheia de pensamentos por ti.

Quero...

Quero correr, guardar, amar… quero sentir, cruzar alquimias… quero a eternidade. Quero a perfeição onde existe imperfeição. Quero o mundo, saltar sobre ele, contar as estrelas, colar um sonho em cada uma delas. Quero morrer ao colo da vida. Florescer de novo. Quero acalmar-me na tua alma, semear desejos, cultivar contextos. Guardar segredos…

Sabe bem o tempo para ter saudade. Sabe bem lutar quando se perdeu a verdade. Sabe bem a ausência para valorizar o sorriso. Sabe bem a presença e agradecer a existência. Cultivar cumplicidades, resistir, proteger amizades. Guardar segredos…

Em cores, em forma de poesia, salpicados com baunilha, tornando-os muito pessoais e codificados. Guardar segredos…

Em forma de amizade, em forma de diamante, em fim…em forma de vida. Porque o que é fácil torna-se especial!

Sociedade Por Detrás das mascaras

Morrem entre as esquinas da morte e da vida, vivem numa rua de indiferença e queimam os seus corpos numa seringa.
Por entre ruas procuram pessoas e vendem a única coisa que resta deles, os seus corpos; são os seus empregos, que matam a satisfação de quem procura por umas horas, e paga com notas sujas. Esse dinheiro que ganham serve apenas para comprar o passaporte para uma vida de alucinações mórbidas. Comem um prato de comer nenhum e pedem na rua uma esmola de ninguém. Tudo à sua volta está surdo e cego, mesmo eles, e agora não se importam de onde vivem, o que vestem...Apenas que têm de comer heroína, matar a fome de ressaca e fazerem dela a maior amante de cada um.
Cai chuva nos seus ombros e não sentem. Abrigam-se debaixo de uma ponte ou de uma barraca feita de madeira senil, dormem e sonham, sonham com o seu próximo encontro com a amante que os leva para o caminho da eterna magia.
Enquanto sonham, esquecem de como se vão encontrar com ela, e quando acordam voltam para as ruas, onde ninguém é de ninguém, e onde um alguém compra uns minutos de paixão fingida e desgraçada!
Mancham o rosto com um manto negro de constante saudade e sofrimento, que já não sentem por que estão com ela. Mas quando acabarem procuram de novo aquelas mesmas pessoas iguais a eles que esquecem que esses empregados de minutos são humanos, sentem e choram por uma vida que já não vale a pena.
Gastam tanto como se tivessem ganho o totoloto todos os meses, e têm tanto como os loucos* de Lisboa que vivem debaixo dos olhares de todas as pessoas que não os vêem.
Os seus destinos estão marcados desde o momento que entram no barco da tristeza, do amor odiado e da riqueza mais pobre do planeta. Sair é difícil, mas morrer é uma facilidade à qual não notam.
Se desistirem de viver para morrer por ela e saem da rua da tempestade para a rua do sol chuvoso. O que lhes resta? Morrer ou Sofrer.

A Palavra MULHER

Olho-me, choro. Fico um pouco histérica, acalmo-me. Esqueço tudo o que alguma vez aconteceu. Penso em tudo aquilo que já aconteceu vezes sem conta. Observo-me ao espelho. Aprecio-me ao espelho. Apetece-me partir o espelho. Dispo a minha roupa e atiro-a para o chão. Ponho tudo de pernas para o ar. Deixo tudo onde está para que outra pessoa arrume. Apercebo-me de que sou sempre eu que arrumo tudo. Canto muito bem. Canto mal. Como coisas que não devia come. Dobro-me e observo os meus músculos. Deixo de me dobrar e reparo nas minhas cicatrizes. Gostaria de saber como seria se fosse loura. Gostaria de sabia como é que ficaria se fosse ruiva. Gostaria de saber como é que ficaria se fosse velha. Pinto-me como nunca o faria se fosse para a rua. Experimento roupas que nunca vestiria em publico. Olho para os meus seios. Imagino-os maiores, mais pequenos, mais arredondados, mais firmes, menos firmes, mais bonitos, mais feios. Aceito os meus tal como são. Escondo-me. Respondo ás pessoas e ganho. Tento fantasias em que a estrela sou eu. Estico a pele da minha cara e imagino-me sem rugas. Pergunto-me se devia fazer uma operação plástica. Esqueço a operação plástica e penso em algo mais barato. Grito comigo própria, perdoou-me. Ensaio aquilo que irei dizer amanhã. Aumento o volume do rádio para não me ouvir. Abro a torneira para não ouvir o rádio. Perco-me…Imagino-me numa ilha deserta, mas com outras pessoas muito atraentes. Rezo. Procuro os meus defeitos. Aceito esses defeitos e procuro outros. Faço caretas ao espelho. Vejo como é que fico com ar de sedutora, de amuada, de zangada, de surpreendida, de chocada, de impressionada. Absorta. Tiro a minha aliança. Olho para mim nua. Olho para mim e gosto do que vejo.

By Dosha